Marvell, de Matt Murphy, compra a Lumentum por US$ 115 bilhões e aposta na luz para conectar a IA
Negócio pago em ações mira os lasers e as conexões ópticas que devem substituir o cobre nos data centers. A conclusão está prevista para 2028.

A Marvell, comandada por Matt Murphy, anunciou na segunda-feira (2) a compra da Lumentum em um negócio de US$ 115 bilhões, dívida incluída, pago só em ações. A fabricante de chips aposta que os data centers de IA vão trocar o cobre pela luz para mover dados.
Segundo a Bloomberg, é a maior operação de 2026 em valor de participação e a maior já feita na tecnologia mundial, excluída a fusão entre SpaceX e xAI. A Reuters calcula o valor de mercado da Lumentum no acordo em US$ 102,54 bilhões.
Os termos
Cada ação da Lumentum será trocada por 4,5 ações da Marvell, o equivalente a cerca de US$ 1.132. O prêmio é de cerca de 23,9% sobre o fechamento de 28 de outubro, último pregão antes de as conversas virem a público.
Depois do negócio, os acionistas da Marvell ficarão com cerca de 67% da empresa combinada, e os da Lumentum, com 33%. Os dois conselhos aprovaram por unanimidade. Faltam os votos dos acionistas e o aval dos reguladores. A conclusão está prevista para o primeiro semestre de 2028.
Murphy segue como presidente do conselho e CEO. Três conselheiros da Lumentum, entre eles o CEO Michael Hurlston, entrarão no conselho da Marvell.
Por que a luz
A Lumentum fabrica lasers, transceptores ópticos e comutadores de circuito óptico. A Marvell projeta chips de IA sob medida, switches e conexões, e já compra tecnologia de laser da Lumentum, segundo a Bloomberg.
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As empresas dizem que o cobre está chegando ao limite físico conforme os sistemas de IA crescem. "A infraestrutura de IA passa por uma mudança fundamental de arquitetura em direção à conectividade óptica, criando uma oportunidade que surge uma vez a cada geração", disse Murphy.
As duas projetam um mercado potencial de US$ 550 bilhões e dizem ver caminho para mais de US$ 1 bilhão por ano em economia de custos. São números divulgados pelas próprias empresas.
A disputa e o mercado
Para a Reuters, o negócio pode ajudar a Marvell a competir com a Broadcom. A Nvidia investiu US$ 2 bilhões em cada uma das duas empresas neste ano. Em agosto, a Marvell também fechou com o Google um acordo de chips de até US$ 120 bilhões em vendas até o ano fiscal de 2033.
A demanda já pressiona a oferta. Hurlston disse que os componentes ópticos da Lumentum estão vendidos até o início de 2029.
Os investidores reagiram com cautela. Desde que as conversas se tornaram públicas, a Lumentum caiu cerca de 8% e a Marvell, cerca de 22%, segundo a Reuters, em meio a uma queda mais ampla do setor de chips depois da previsão fraca da Intel.
Por que importa
A disputa da IA avança dos modelos para a infraestrutura física que move os dados. Para empresas brasileiras que contratam nuvem ou planejam capacidade própria, o acordo é mais um sinal de concentração entre os fornecedores dessa cadeia, justamente quando o país tenta atrair data centers com o Redata.
Fontes: The Next Web; Stocktwits/Yahoo Finance; Bloomberg e Reuters, citadas pelo The Next Web.
Por que isso importa
Análise IA News · a leitura da nossa redação
A compra de US$ 115 bilhões mostra que a corrida da IA chegou às conexões ópticas dos data centers. Para quem contrata nuvem no Brasil, é mais um sinal de concentração entre fornecedores.
Fontes
Apuração, análise e conclusão editorial produzidas pela redação do IA News a partir das fontes acima. O conteúdo não reproduz o texto original.
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