Chris Torto, da Ascenty: com o Redata, o Brasil entra na disputa por data centers enquanto os EUA resistem
Fortune mostra como isenção de impostos e energia barata colocam o país na rota das big techs, com dúvidas sobre transmissão, conta de luz e impacto local

A resistência aos data centers nos Estados Unidos colocou o Brasil em evidência. Reportagem da Fortune publicada em 1º de novembro descreve o país como um destino possível para esses projetos, com impostos menores e energia mais barata.
Um dos entrevistados é Chris Torto, CEO da Ascenty, descrita pela revista como a maior fornecedora de data centers e conectividade da América Latina. "Se o Brasil queria ser um jogador no setor, precisava fazer essa mudança na lei tributária", disse ele à Fortune.
O que mudou com o Redata
Lula sancionou o Redata em 15 de setembro. O texto virou a Lei 15.504/2026, segundo o Teletime. O regime isenta Imposto de Importação, PIS/Cofins e IPI para data centers que cumpram critérios de sustentabilidade, como o uso de energia renovável ou de baixo carbono.
Há contrapartidas. Segundo o Congresso em Foco, as empresas devem reservar ao menos 10% da capacidade ao mercado brasileiro e investir 2% do valor dos equipamentos. Os percentuais caem para 8% e 1,6% no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.
O governo estima renúncia de cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026 e cerca de R$ 1 bilhão por ano nos dois anos seguintes. O regime ainda depende de regulamentação.
Quem está investindo
A Fortune lista os compromissos das big techs:
- Google: planeja dobrar a infraestrutura de nuvem no país até 2030.
- AWS: já gastou mais de US$ 3,8 bilhões desde 2011 e prometeu mais US$ 1,8 bilhão até 2034.
- Microsoft: comprometeu US$ 2,7 bilhões em três anos.
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A própria Ascenty, joint venture da Digital Realty com a Brookfield Infrastructure, anunciou US$ 1,2 bilhão (R$ 5,9 bilhões) para entregar 150 MW contratados em 18 meses, segundo a Data Center Dynamics.
Por que o Brasil atrai
A Fortune afirma que a eletricidade custa menos da metade do valor nos EUA. Dados do Ministério de Minas e Energia citados pela revista apontam quase 87% de geração renovável.
Também há demanda. A OpenAI diz que os brasileiros enviam 215 milhões de mensagens por dia ao ChatGPT. Carlos Barrera, CEO da Atlas Renewable Energy, chamou a região de "válvula de escape" para as restrições de capacidade nos EUA.
O que ainda preocupa
Barrera diz que o país precisará de mais linhas de transmissão. Segundo a Fortune, autoridades divergem sobre o efeito nas contas de luz. O Ministério Público Federal foi à Justiça por causa de um data center ligado ao TikTok, pedindo estudo de impacto ambiental e consulta ao povo indígena Anacé.
Há ainda um limite no ganho de soberania. James Mercer, da consultoria Metro Colo Advisory, diz que a reação americana empurra as gigantes para onde a energia aparece primeiro. Torto admite que o Brasil dificilmente criará o próprio Google ou a própria Microsoft.
Por que importa
Quem decide compra de nuvem e IA no Brasil pode ganhar capacidade local e mais opções de processar dados no país. O ritmo vai depender da regulamentação do Redata, da transmissão de energia e da resposta das comunidades afetadas.
Fontes: Fortune, Teletime, Congresso em Foco e Data Center Dynamics.
Por que isso importa
Análise IA News · a leitura da nossa redação
Com o Redata em vigor, empresas brasileiras podem ganhar capacidade local de nuvem e IA, mas o ritmo depende da regulamentação, da transmissão de energia e do impacto nas comunidades.
Fontes
Apuração, análise e conclusão editorial produzidas pela redação do IA News a partir das fontes acima. O conteúdo não reproduz o texto original.
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