Ricardo Alário, da Odata, vê o Brasil saltar de 1 para 5 GW em data centers com a IA
Com o Redata em vigor, o CEO da Odata espera triplicar o ritmo de crescimento da empresa, que já soma 2 GW em 25 operações na América Latina.

Ricardo Alário comanda a Odata, operadora de data centers com 2 GW de capacidade em 25 operações no Brasil, México, Chile e Colômbia. E, para ele, a inteligência artificial mudou a escala do negócio.
"Hoje, estamos falando de projetos que nascem com US$ 1 bilhão. É para onde o mercado está indo", disse Alário ao NeoFeed. Segundo ele, a demanda puxada pela IA já começa em 100 a 200 MW por projeto, o que exige muito mais capital.
O efeito Redata
O Redata, programa federal de incentivos tributários para a importação de equipamentos de data center, virou lei em meados de setembro de 2026. Antes dele, segundo Alário, uma GPU podia custar de 40% a 80% mais no Brasil.
A Odata projetava crescer 20% ao ano. Com o Redata, a expectativa é outra: "Se íamos crescer 20% ao ano, que isso se multiplique por três".
O Brasil tem hoje cerca de 1 GW de capacidade instalada e em construção. A projeção do executivo é chegar a 5 GW em cinco anos.
Bolsos pesados
A Odata faz parte da Aligned Data Centers, comprada por US$ 40 bilhões pela AI Infrastructure Partnership (AIP), grupo que reúne nomes como BlackRock, MGX, Microsoft e Nvidia. Para Alário, isso coloca a empresa em posição de disputar projetos de grande porte. "Vira um jogo quase que mais de mercado financeiro do que construir data center", diz.
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Odata, Scala e Ascenty já investiram mais de US$ 5 bilhões no Brasil, e seus clientes, outros US$ 10 bilhões. "Estamos superinvestidos no Brasil. Nós nunca deixamos de apostar aqui", afirma.
Os gargalos
Nem tudo é simples. O prazo de entrega de transformadores passa de 24 meses, e a fila de geradores chega a 29 meses. Cada grande transação leva de 7 a 9 meses para fechar. A Odata perdeu projetos durante a demora do Redata, e o México superou o Brasil por pouco em 2025. O próximo passo é negociar isenções de ICMS com os estados.
"O Brasil tem que tomar cuidado, pois sempre que o país vira a bola da vez, todo mundo quer legislar", alerta.
Por que importa
Sem data centers, não há IA rodando no país. A previsão de Alário mostra que o Brasil pode multiplicar sua infraestrutura de computação, desde que regras e energia acompanhem o ritmo dos investidores.
Fonte: NeoFeed (01/10/2026). Foto: Divulgação/Aligned.
Por que isso importa
Análise IA News · a leitura da nossa redação
A capacidade de data centers define quanta IA o Brasil consegue rodar localmente; Alário prevê multiplicá-la por cinco se regras e energia acompanharem.
Fontes
Apuração, análise e conclusão editorial produzidas pela redação do IA News a partir das fontes acima. O conteúdo não reproduz o texto original.
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